As negociações entre a Bahia e a China sempre renderam bons dividendos para os gestores. Desde Jaques Wagner, ir à China parece ser um pedágio obrigatório para o governador baiano. Chegou a vez de Jerônimo Rodrigues cumprir a própria peregrinação em busca de parcerias comerciais que rendem notícias positivas para um estado que, apesar de muitos avanços, mantém índices preocupantes na economia, especialmente na geração de empregos e na renda da população.
A capitalização dessa viagem vai além da sintonia com Luiz Inácio Lula da Silva - que foi obrigado a desistir da viagem temporariamente por questões de saúde. Jerônimo precisa trazer na bagagem soluções para entraves já existentes na relação entre a Bahia e empresas e consórcios chineses. Ao menos duas obras estruturantes, o Veículo Leve de Transportes (VLT) do Subúrbio e a ponte Salvador-Itaparica, demandam investimentos vultosos estatais e a parceria público-privada criada para as respectivas construções. E ambas estão a um ritmo praticamente parado - às vezes com alguma mobilização para não parecer completamente inertes. É uma herança dos antecessores, que cabe a Jerônimo continuar.
Jerônimo embarcou na missão China de 2023 tentando destravar projetos como o VLT e a ponte, mas também na tentativa de confirmar o protocolo de intenções para que a planta da Ford seja assumida pela BYD, uma gigante do setor automobilístico e que ainda não tem fábricas no Brasil. É um desafio grande, dadas as circunstâncias globais da economia - e a ainda instável volatilidade política e econômica do Brasil. A esperança do governo é trazer boas notícias na mala, para além da experiência de uma viagem em comitiva governamental ao exterior - sim, há quem escolha apenas analisar sob essa perspectiva.
Ainda assim, por mais que haja uma perspectiva otimista, é preciso ficar atento para que a ida da Bahia não fique sob a reboque das expectativas da missão Lula, ainda que o presidente não tenha embarcado dessa vez. Desde a campanha eleitoral, Jerônimo reforça a tese de que deve haver uma integração entre a gestão Lula e a administração local. Entretanto, há uma diferença importante a se delimitar: não deve haver subserviência, mas sim parceria. Tal qual a expectativa da relação com a China.
A Voz da Região / Bahia NotÃcias