Bolsonaro, ex-ministros militares e aliados são alvo da PF em investigação sobre tentativa de golpe; o que se sabe at√© agora

Por A Voz da Região em 10/02/2024 às 07:25:08

O ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros militares e aliados são alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) chamada Tempus Veritatis. A operação investiga uma suposta "tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democr√°tico de Direito" nos períodos que antecederam e se seguiram às eleições presidenciais de 2022.

A investigação apura a atuação de milícias digitais e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF obteve evid√™ncias de que Bolsonaro teria se envolvido na confecção de uma minuta de decreto com medidas para impedir a posse de Luiz In√°cio Lula da Silva (PF) e mant√™-lo no poder. Além disso, militares teriam organizado manifestações contra o resultado das eleições e atuado para garantir que os manifestantes tivessem segurança.

Pelo menos nove aliados e ex-ministros de Bolsonaro também foram alvo da PF. Tr√™s deles j√° foram presos preventivamente: Filipe Martins, ex-assessor para assuntos internacionais de Bolsonaro. Outros ex-ministros e pessoas próximas ao ex-presidente são alvo de mandados de busca e apreensão.

Por ordem da Justiça, o ex-presidente teve seu passaporte apreendido e não pode fazer contato com outros investigados. A defesa de Bolsonaro afirmou que a apreensão do passaporte é uma medida "absolutamente desnecess√°ria e afastada dos requisitos legais e f√°ticos que visam garantir a ordem pública e o regular andamento da investigação, os quais sempre foram respeitados".

Declaração de Mauro Cid

A operação Tempus Veritatis da Polícia Federal, que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado, foi realizada após o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, fechar delação premiada com a PF. Cid est√° preso e é investigado por envolvimento na tentativa de golpe e outras denúncias envolvendo o ex-presidente e integrantes de seu governo.

Cid afirmou na delação que Bolsonaro teria visto a minuta de um decreto que seria usado para subverter o resultado da eleição presidencial de 2022, em que o ex-presidente foi derrotado por Lula. A minuta detalhava supostas interfer√™ncias do Judici√°rio e decretava a prisão de autoridades, além de determinar a convocação de novas eleições.

Bolsonaro teria solicitado alterações na minuta e concordado com os termos ajustados. No entanto, Bolsonaro negou por diversas vezes ter conhecimento de uma minuta com esse teor.

Paulo Cunha Bueno, advogado do ex-presidente, afirmou que durante as buscas da PF na sede do Partido Liberal (PL) em Brasília, foi encontrado um documento que consiste com a descrição da minuta citada pela PF. Segundo Bueno, o arquivo digital da minuta j√° estava nos autos da investigação faz tempo e foi encontrado originalmente no celular de Mauro Cid. A minuta teria sido enviada pela própria defesa ao celular de Bolsonaro em 18 de outubro de 2023, quando ele j√° não estava mais na Presid√™ncia. A defesa alega ainda que minuta foi impressa porque Bolsonaro acha ruim ler pelo celular.

Virada de mesa antes da eleição

Em um computador apreendido na resid√™ncia de Mauro Cid, havia um vídeo de uma reunião de Bolsonaro com outros alvos da operação Tempus Veritatis, incluindo Heleno, Torres, Braga Netto e Nogueira, realizada em 5 de julho de 2022. Na reunião, Bolsonaro teria instado seus ministros a divulgar desinformações e notícias fraudulentas sobre a lisura do sistema de votação. Heleno teria discutido a possibilidade de agentes da Abin se infiltrarem nas campanhas eleitorais, mas Bolsonaro teria interrompido a conversa para que falassem sobre o assunto em particular.

Nogueira, então ministro da Defesa, teria afirmado que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seria um "inimigo" com quem o grupo estaria em "guerra". Ele teria dito que se reunia com os comandantes das Forças Armadas para discutir ações que poderiam ser tomadas para garantir transpar√™ncia, segurança, condições de auditoria e a realização de eleições de acordo com o que eles sonhavam. Nogueira expressou o desejo de todos eles de reeleger Bolsonaro.

A Operação

A Polícia Federal (PF) est√° cumprindo 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares como parte da operação Tempus Veritatis. O Exército est√° acompanhando o cumprimento de alguns mandados e quatro militares da ativa serão afastados de suas funções.

As medidas da operação incluem a proibição de contato entre os investigados, a proibição de saída do país, a entrega dos passaportes em 24 horas e a suspensão do exercício de funções públicas. A operação est√° sendo realizada em v√°rios estados brasileiros.

A investigação aponta que o grupo se dividiu em núcleos para disseminar a ocorr√™ncia de fraude nas eleições presidenciais de 2022, antes mesmo do pleito, visando viabilizar e legitimar uma intervenção militar.

A polícia identificou a construção e propagação de uma suposta fraude nas eleições de 2022 e a pr√°tica de atos para subsidiar a abolição do Estado Democr√°tico de Direito, através de um golpe de Estado. Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democr√°tico de Direito e golpe de Estado.

Além disso, a mesma organização criminosa também é investigada por ataques virtuais a opositores, ataques às vacinas contra a covid-19 e às medidas sanit√°rias na pandemia, e uso da estrutura do Estado para obtenção de vantagens.

Fonte: BBC

Comunicar erro
outlet

Coment√°rios